terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Mago falou comigo hoje...

Pode até parecer loucura... E foi mesmo.Acordei e como faço todos os dias, fui tomar meu cafézinho. Depois de feito isso ai sim o meu dia está definitivamente "começado".
Mas hoje foi diferente. Tomei o café e sentei para ler uma entrevista com Paulo Coelho na compra rara, a revista Marie Clair.Isso mesmo.E foi como se ele estivesse falando diretamente para mim.
Deixa que eu explico:

Nos últimos dois meses venho vivendo uns conflitos dentro da minha relação e sei, que eu não estou só nessas "fases" das problemáticas conjugais.(será?)
São coisas que você insiste em fazer parecer normal. "Parece que está tudo bem." Essa é a sensação que fica quando você entra numa briga e sai dela, sobrevive como um bravo guerreiro.
Depois da resenha da jornalista*, claro, brilhante (Senão ela não escreveria essa matéria, nesta revista) vem a primeira pergunta:

M.C. - As relações atuais são baseadas na hipocrisia?

As relações hoje são baseadas na defensiva. A hipocrisia é uma conseqüência de as pessoas não poderem expressar seus sentimentos.

Pronto!"_ Falou isso mesmo?Foi isso mesmo que eu li?
Me perguntei várias vezes se eu ainda queria ler mais um livro dele. Mas voltei a ler a entrevista com aquele pensamento: " _ ele sabe por que diz isso. Ele sabe!"

MC - Por que não podemos expressar sentimentos?

PC - Somos julgados fracos quando demonstramos emoções porque isso, na sociedade, significa que não estamos dentro da tendência, que é a do sucesso a todo custo. É uma frieza desproporcional isso de a lógica sempre se sobressair à intuição. E a repressão de sentimentos nos leva ao outro extremo. Quer dizer, se você não demonstra, por exemplo, reconhecimento por um bom trabalho feito para você, você, assim, acha que está agindo como um verdadeiro líder. Mas, na verdade, o mundo sempre viveu da capacidade do homem de sentir. Todas as grandes mudanças, principalmente no plano filosófico, aconteceram quando o homem deixou de raciocinar dentro daquilo que ele já conhecia e passou a se guiar por aquilo que não via.

E ai, quando terminei de ler essa resposta eu já estava com o coração na mão... Mas me mantive firme. Como o guereiro da resenha da mesma jornalista que agora já virara meu ídolo, por que conseguiu arrancar dele essas respostas por telefone.(Paulo Coelho está morando em Paris).E logo abaixo da resposta vem outra pegunta que parecia ter saído da minha cabeça...

MC e EU: " _Como assim?"

PC - Cristóvão Colombo não viu a América, mas imaginou que a América estava do outro lado do oceano. Dante nunca viu Beatriz, mas achou que Beatriz podia inspirar um grande livro... Quem se comporta friamente está condenado ao fracasso, porque a sociedade tende a se tornar mais e mais feminina .

E novamente "nós" em coro, estávamos numa sintonia argumentativa:


MC e EU - Feminina?

PC - Feminina não no sentido do sexo feminino, mas no sentido do outro extremo, do outro pólo. No sentido do uso da intuição, do uso da emoção, do uso da paixão. Então, a repressão do sentimento leva à hipocrisia, à superficialidade.

E depois de algumas perguntas e respostas sobre os recordes dele, e mais outras não menos interessantes(mas para mim, essas soaram como aviso, como premonição, como "um Amém".

E agora vem a resposta que me deu uma ar mais dramático.Uma revolta que nascia em mim ainda àquela hora da manhã, depois de virar pela cama a noite toda...me senti impotente. *** Antes de terminar de escrever, falei com o personagem do meu maior conflito, e não foi bom. ***

Leia com muita atenção. Se precisar faça como eu, pare, pense, releia e entenda:

MC - A felicidade é simples?

PC - Felicidade é aceitar o conflito. As pessoas vêem a felicidade como a ausência de conflito, e não é isso. Se olho do lado de fora da minha janela, o vento está batendo nas flores e nas folhas, tentando arrancá-las, a noite está lutando contra o dia, as estações lutam entre si -a natureza vive em função do conflito. Se você transporta isso para o casamento, por exemplo, não existe nada mais aborrecido do que entrar naquele estado de paz, entre aspas, no qual você e sua mulher já não conversam mais, já não riem e já nem brigam mais. Não pode haver uma relação ativa no casamento com a ausência de briga. A briga é necessária, porque ela significa diálogo, significa que as pessoas não estão satisfeitas. Claro, você não vai viver brigando, mas pelo menos vai admitir que as coisas crescem em função desse conflito.

Nossa... Entrei em pânico: "_Será que estou fugindo?" _Será que estou sendo covarde?" Por que na noite anterior, eu joguei a toalha branca. Não quis mais briga. Não queria "conflitos"que, nas palavras dele, parecem ser sempre de tão fácil solução. Não achava mais necessário o diálogo em prol do crescimento. E no fundo, lá no cantinho da minha Alma, eu sentia, e me dizia: _ Você está errando! Fazer o que? Terminar de ler, né? E comprar logo esse livro, mais um dele:
'O Vencedor Está Só'
Sugestivo, não? No mínimo.
Chega a ser indecente para quem está querendo vencer um conflito...

MC - Você ainda acorda e lança flechas reais em direção a um alvo?
PC - Todos os dias. Para lançar, você passa por dois estados. O primeiro é o da contração total, quer dizer, quando você tem o arco estendido antes de soltar a flecha. Você está como se tivesse uma mala de 45 kg nas costas. E quando você solta, o peso vai para zero. Esse processo de contração e expansão é o que acontece com o coração. É a metáfora da vida pra mim. Eu preciso desses dois extremos para poder, inclusive, pensar. Por isso o meu dia começa assim.


E foi assim que O MAGO falou comigo hoje. Estava sem medo de ouvir. Estava aberta a ouvir as repostas e elas vieram.E foi bom tê-las.
Ele pode falar com você também. É só você estar disposto a tudo. Para não acovardar-se em seus medos e sair em busca do que você realmente chama de felicidade.Para não ter em você a sua destruição.A dissipação dos seus sonhos. A grande sacada do dia foi esta:

"Ame. Mas não queira amar mais que ninguém.
Seja feliz. Mas não dependa da felicidade alheia para isso.
Sofra. Mas não queira sofrer menos que ninguém. Baseie-se como eu nas palavras da entrevista simples e contundente e enfrente os CONFLITOS. Mas amadureça. Senão a guerra estará perdida na primeira batalha."





*Milly Lacombe, jornalista a quem Paulo Coelho concedeu esta entrevista paraa revista Marie Clair edição de Setembro/2008.


*** Mariana Lopes Franklin - Eu, namorada,casada,noiva (???), 31 anos, mãe de duas lindas meninas, chorando e relendo toda essa entrevista para postá-la aqui. Chorando, sentindo mais uma vez. Conflitando meus sentimentos.Confundindo-me mais uma vez a cabeça.***



Um comentário:

Ella Fachin disse...

Nunca li um livro de Paulo Coelho...mas hoje decidi ir em breve a uma livraria e comprar um.

Realmente tudo que ele escreveu toca fundo na gente...parece fácil assim nós agirmos só com a verdade,dizer tudo o sentimos, expressar o amor, felicidade, ódio e etc.

Gostei Mariana, boa sorte!